Benfica vence após batalha... Naval

  • Crónica

 

© Alexandre Pona

 

À 6.ª jornada da Liga Sagres, o Benfica é, entre os três grandes, aquele que melhor se coloca no ataque à liderança. Foi com esta prenda que o Glorioso premiou os mais de 45 mil adeptos que se deslocaram à Luz para festejar o quinto aniversário da nova Catedral. Uma vitória (2-1) muito sofrida numa autêntica batalha Naval. Se a primeira parte ficou marcada pelas oportunidades perdidas, a segunda teve nos golos o acrescento perfeito à muita emoção que “activou”, até final, as bancadas da Luz.

Muitos tiros… na água

Animado o início da partida. Um Benfica finalmente a contar com Suazo na frente de ataque em jogos referentes à Liga Sagres, com Yebda e Carlos Martins a recuperarem os lugares do costume no miolo e Ruben Amorim regressando à meia-direita. Mas foi pela esquerda, por intermédio do inevitável Reyes, que o Benfica construiu a sua primeira jogada de perigo. Bom remate de primeira do canhoto para boa defesa de Peiser, após excelente assistência de Suazo. Mas quem julgava que se seguiriam minutos de intenso domínio benfiquista, cedo terá entendido o verdadeiro cariz da partida. É que, logo depois, aos 11’, Dudu isolou Marcelinho e este, na cara de Quim, atirou ao lado. Era o aviso de uma Naval muito certinha tacticamente e que, por intermédio da capacidade de passe de Alex, Bolivia e Dudu (este um lateral muito ofensivo e rápido), tentava desmarcar os velozes Davide, Diego e Marcelinho, apesar de em termos defensivos alinhar com um invulgar 5-2-3 que se desdobrava, muitas vezes, em 3-4-3 em situações ofensivas.

O Benfica não baixou a guarda, mas desconfiou, o que acabou por lhe toldar um pouco os movimentos ofensivos, revelando alguma escassez de soluções de passe na primeira zona de construção de jogo. Mais veloz, sim, quando a bola chegava a Reyes, Suazo ou Nuno Gomes, o Benfica dependia da qualidade de posicionamento e de entendimento da tripla atacante. Aos 16’, exactamente num lance nascido nessa conjunção de ideias, o 21 (homenageado ao início da noite por Luís Filipe Vieira, devido aos 150 golos já apontados de águia ao peito) isolou Suazo que, apesar do toque de classe, viu Peiser “manchar-lhe” os intentos, com uma eficaz saída.´

Naquela que foi uma tripla de minutos de grande emoção, seguiu-se um desvio de cabeça em que Reyes (o melhor do Benfica nesta noite) só pecou pela direcção, mas em que revelou grande capacidade de leitura de jogo, após um centro desviado de Maxi Pereira. Logo depois, a vez à Naval. Remate de longe (com muito efeito) de Alex, com Quim a defender para a frente e a mostrar reflexos na recarga de Marcelinho, apesar deste último se apresentar em fora de jogo. O desafio estava vivo, sim senhor, mas Quique certamente queria mais estabilidade defensiva e capacidade de gerar desequilíbrios no meio-campo contrário. Algo que aconteceu aos 24’ quando Reyes, ao seu estilo, atirou de primeira, mas ao lado, após centro tenso, ao segundo poste, de Suazo. O hondurenho (aguerrido, mas em busca da melhor forma) quis, também ele, testar o seu poder de tiro e, após serviço de Nuno Gomes, atirou uma bomba para nova defesa do atento Peiser. O último momento alto de uma primeira parte em que Ruben Amorim foi travado na grande área (aos 26’), num lance que só o árbitro Rui Costa não viu.

 


© SLBenfica.pt

 

Com a cabeça na canhota

Foi uma segunda parte de “nervos” aquela a que a Luz assistiu. A Naval apresentou-se mais defensiva, com as linhas mais recuadas, e revelou tremenda concentração nas marcações. Dificuldades, pois, para um Benfica que persistia em não acelerar os processos criativos no último terço do terreno, mesmo tendo em conta que no miolo já dominava a toda a linha. Um centro largo de Maxi Pereira, aos 50’, para uma finalização, por cima, de Nuno Gomes, foi o momento mais emotivo na primeira dezena de minutos da etapa complementar.

Quem não estava satisfeito era Quique Flores que, primeiro com Di María e, depois, com Cardozo e Katsouranis, quis mexer com o jogo. E de tal forma o conseguiu que o Benfica chegou mesmo à vantagem, num cabeceamento de Luisão, aos 70’, após um livre apontado na meia esquerda por Reyes. Curioso o facto de o central voltar a ficar ligado a um dia histórico do Estádio da Luz, voltando a marcar de cabeça, tal como em anos anteriores nos habituara.

Alegria de pouca dura, com a Naval a responder com qualidade, empatando dez minutos depois, num lance gerado por Michel, com desvio de Carlitos e joelho fatal de Marcelinho, à boca da baliza. Muitos pensaram que, após tal desilusão, não mais o Benfica reagisse, mas eis que Jorge Ribeiro, coladinho à linha lateral esquerda, centrou larguíssimo para um cabeceamento perfeito de Cardozo, fuzilando as redes à guarda de Peiser. A Luz podia, então sim, festejar. O Benfica afundava o porta-aviões defensivo navalista, sendo que na água se afogaram as restantes esperanças da equipa da Figueira da Foz. A liderança está, agora, mais perto e o Benfica parece preparado para uma época… à Benfica.

 

  • Avaliações

 

© Alvaro Isidoro

 

"Pode queixar-se de uma grande penalidade não assinalada pelo árbitro aos 26' (foi rasteirado por Alex Hauw). É certo que deu coesão ao flanco direito, mas não escapou à apatia geral, falhando alguns passes. (2)", In: Record

 

"O mais criativo no um para um durante a primeira parte, sofrendo mesmo um penáti após brilhante jogada individual. Talvez porque Quique precisasse de outra acutilância na frente, foi o primeiro sacrificado na dança das substituições. (6)", In: O Jogo

  • Momentos

 

 

26' Penálti sem dúvida

 

 

Justificava-se, de facto, a marcação de grande penalidade, porque o jogador da Naval, Alex, tenta jogar a bola com o pé esquerdo e não consegue, mas ainda que tocasse, com o pé direito derruba claramente por trás o Ruben Amorim. É uma zona muito dificil do terreno; o árbitro terá ficavo com a dúvida se o Alex toca ou não na bola, procurou a ajuda do assistente, mas este também não teria uma visão clara.

 

In: Record

publicado por Frederica às 21:37
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