Benfica ultrapassa os 5.000 e vence o Vitória em Guimarães

  • Crónica

 

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Numa partida ferida de morte pela péssima exibição da equipa de arbitragem (e são tantas as razões de queixa do Benfica), valeu uma primeira meia hora de grande classe para garantir a vitória (1-2 em Guimarães) que deixa, à 7.ª jornada da Liga Sagres, o Glorioso com mais dois pontos que o Sporting e com mais quatro que o FC Porto. Uma partida para homens de barba rija que ficou ainda marcada pela obtenção do golo 5000 "encarnado" em competições oficiais numa jogada iniciada num passe de letra do regressado Aimar e concluída por um antológico Suazo.

 

O espectáculo

Do céu ao inferno em apenas 45 minutos. O Benfica viveu alguns dos seus melhores momentos da época ao longo da primeira meia hora do jogo da cidade-Berço. Uma equipa formatada para uma pressão alta complementando o acerto nas marcações na defesa e no miolo. Um Benfica que colocou a cereja no topo do bolo via a qualidade de passe de Aimar (de regresso ao “onze”) e a velocidade de Suazo. E foi assim que o argentino e o hondurenho forjaram o melhor golo da época. Um passe longo feito de letra, num momento de pura inspiração de Aimar, ao qual Suazo respondeu com um sprint de 40 metros em que deixou para trás os centrais contrários. Até o remate, colocado ao ângulo inferior direito da baliza de Nilson, foi perfeito. Que melhor forma de acontecer o golo 5000 da história do Benfica em competições oficiais...

Se o golo 5000 fora apontado aos 15’, foi preciso apenas esperar mais dois minutos para que se desse início ao longo caminho para golo 6000. E foi novamente Aimar a estar na forja de tal momento. O argentino rompeu pela direita e foi derrubado. Na marcação do livre, Reyes colocou a bola ao segundo poste, onde surgiu Sidnei a cabecear com sucesso. Só mesmo um Benfica de grande qualidade podia silenciar um D. Afonso Henriques lotado e até fazer esquecer os sucessivos erros de Carlos Xistra na avaliação a lances decisivos: não assinalou uma grande penalidade clara sobre Aimar, aos 2’, e cortou uma jogada de grande perigo de Suazo, aos 24’, por fora de jogo inexistente.

 

A batalha

No entanto, até porque estava em vantagem, o Benfica era colocado à prova, a partir da meia hora de jogo, relativamente a uma das suas principais dificuldades em alguns dos jogos na presente época: controlar, com bola e longe da sua baliza, uma vantagem no marcador. Quando, aos 40’, Douglas pôde receber um passe rasgado e, em plena área, atirar a contar, vieram ao de cima as palavras de Quique – relativamente a estas situações, tem lembrado que esta é ainda uma equipa em crescim
ento. E o que é certo é que o facto de Reyes ter visto dois cartões amarelos (mal mostrado o primeiro) nos cinco minutos seguintes em nada facilitou a tarefa benfiquista para a segunda parte.


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Manuel Cajuda aproveitou a vantagem numérica para fazer subir as linhas e para providenciar a equipa de maior capacidade de circulação de bola em zona atacante, apostando no regressado Nuno Assis. Já Quique pediu a Aimar para se revezar com Katsouranis a fechar o flanco esquerdo, ficando Suazo na frente, apesar de em muitos momentos apoiados pelo argentino (surgiu com grande disponibilidade física e totalmente recuperado da lesão). Conseguiu o Benfica controlar o maior caudal ofensivo dos vimaranenses e à entrada dos 70 minutos Quique fez entrar em cena Carlos Martins, saindo o “dez” e ficando o Benfica claramente em 4-4-1, com Martins à direita e Amorim à esquerda.

Um parêntesis, aqui, para um "cartão vermelho" (mais um) a Carlos Xistra. O mesmo senhor que expulsou Reyes por faltas vulgaríssimas, permitiu a Andrezinho uma entrada violentíssima à cara (sim, literalmente à cara) de Suazo. Um lance de claro vermelho que nem amarelo mereceu. Um momento que feriu de morte uma partida em que o Benfica foi – diga-se sem rodeios – tremendamente prejudicado pela equipa de arbitragem. Continuou o jogo, como se nada fosse, com o Vitória a pressionar e o Benfica a saber tapar todos os metros quadrados de terreno mercê de um enorme espírito de entreajuda. E foi dessa forma que o Benfica segurou a vantagem e mostrou que está a crescer, felizmente, de forma precoce, pois só uma grande equipa conseguiria controlar, com menos um, um adversário de valia (que ficou à sua frente na passada edição da Liga), em terreno adverso. A liderança está a apenas um ponto de distância. E a equipa com o melhor ataque do campeonato promete cada vez mais.

 

In: SLBenfica.pt

 

V. Guimarães: Nilson; Andrezinho, Danilo, Gregory e Luciano Amaral; Flávio Meirelos, Wénio, João Alves e Desmarets; Roberto e Douglas.

Ainda jogaram: Mohma (Danilo, 46min), Nuno Assis (Flávio Meireles, 46min) e Luís Filipe (Desmarets, 59min).

Golos: Douglas (41min).

Cartões Amarelos: Danilo (11min), Flávio Meireles (34min), Wénio (63min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

 

Benfica: Quim; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei e Jorge Ribeiro; Ruben Amorim, Yebda, Katsouranis e Reyes; Aimar e Suazo.

Ainda jogaram: Carlos Martins (Aimar, 69min), Cardozo (Suazo, 77min) e Binya (Ruben Amorim, 85min).

Golos: Suazo (15min), Sidnei (18min).

Cartões Amarelos: Aimar (34min), Reyes (42min e 45+1min), Yebda (87min).

Cartões Vermelhos: Reyes (por acumulação de amarelos: 42min e 45+1min).

 

  • Avaliações

 

 

© VitoriaSC.pt

 

"Esforçado, procurou impermeabilizar os flancos direito e esquerdo, saindo em auxilio dos laterais. Combateu imenso e saiu vitorioso. (3)", In: Record

 

"No plano táctico cumpriu as instruções, fechando o coreedor direito (mais tarde o esquerdo) e apoiando sempre Maxi Pereira. Por isso mesmo, apenas a espaços se aventurou em missões ofensivas. (6)", In: O Jogo

 

"Frio a congelar o jogo

Jogo certinho mas sem grandes rasgos. O seu melhor momento, um passe soberbo a lançar Suazo (23 minutos), que se isolou, foi mal anulado por fora-de-jogo. Em todo o caro, foi muito importante na segunda parte, já que foi um dos poucos jogadores do Benfica a conseguir segurar a bola e congelar os impetos do adversário. (5)", In: A Bola

publicado por Frederica às 20:59
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