O jovem terra a terra que anda nas nuvens

  • Reportagem

 

 

O day after de Ruben Amorim, após o golo de estreia pelos encarnados, foi tão simples como isto: treinou-se no Seixal de manhã e passou a tarde na casa da mãe, Anabela Marques Francisco, na Charneca da Caparica. O filho mais velho, Mauro, de 25 anos, ex-campeão nacional de juniores, pelo Alverca, em equipa que tinha nomes como Filipe Falardo ou Amoreirinha, ainda vive com Anabela, mas não estava em casa.

 

«Veio ter comigo e passámos a tarde inteira a conversas sobre o jogo, o golo, a sua vida e a minha. Falámos de tudo. Sou a confidente dele, sou tudo para ele... Estamos muito ligados!», explicou, muito comovida, a mãe orgulhosa. «E não se zangará comigo por causa destas inconfidências, porque, simplesmente, jamais se zangaria comigo!», prosseguiu.

 

PELA CAIXA QUE MUDOU O MUNDO

 

«Estávamos em casa a ver o jogo pela televisão, eu, o meu filho Mauro e a sua namorada. Quando Ruben marcou sentimos uma alegria imenso, foi tão intenso! Foi uma sensação formidável, pois o Ruben merecia tanto aquele golo...», contou, à beira das lágrimas, a mãe, que não se conteve.

 

«Sempre foi um miúdo formidável. Sempre foi um miúdo muito certinho e responsável. Tão amigo da família... Aliás, sempre disse que não conseguiria viver longe da família e, na verdade, somos mesmo chegados. Sou a confidente dele, temos uma relação muito especial. Conta-me tudo, abre-se completamente e falamos de qualquer tipo de assunto. E liga-me sempre depois dos jogos. Corra bem ou corra mal. E, se for preciso, é o primeiro a dizer se jogou bem ou jogou mal. Ontem [anteontem], claro, estava muito feliz. Sou suspeita para falar porque sou a mãe dele, mas é um ser humano maravilhoso!», continuou, com a voz embargada, Anabela Fransisco, que quase verteu uma lágrima enquanto percorria a vida do filho de uma ponta à outra: «Quando o Ruben nasceu, o pai dele estava connosco, mas saiu para ir ver um Benfica-Porto e fazer Ruben e Mauro sócios do Benfica. Foi a sua forma de festejar o nascimento do filho. Fê-lo sócio assim que nasceu!»

 

© ActionImages

 

SEM AUTOCARRO... FOI A CORRER

 

Nem tudo, no entanto, foram rosas: «Ruben passou por muito, mas sempre foi uma pessoa maravilhosa, que se preocupava com a família. Em relação a mim, então, sempre foi muito atencioso. Uma vez perdeu o autocarro e para que não ficasse preocupada ao ver que o autocarro passara e ele não vinha, fez todo o caminho a correr até casa para que eu não me preocupasse.»

 

A primeira passagem pela Luz foi amarga para o jogador: «Esteve no Benfica nas escolinhas e nos infantis, mas saiu quando Vale e Azevedo acabou com as equipas jovens. Sempre lhe disse que um dia iria voltar ao clube pela porta grande... e aí está!»

 

Jogador pertence a uma família de benfiquistas e voltou ao clube pela porta grande

 

'BARRA' A PORTUGUÊS E QUÍMICA

 

Estudar é uma das virtudes do cidadão Ruben Amorim: «Sempre foi um bom estudante. No 11º ano, por exemplo, acabou com médio de 16. Sempre teve boas notas, 18 e 19 a Português, boas notas também a Química. Tirou o 12º ano na área de desporto, mas nem era o desporto a sua melhor disciplina. Podia ter ido para a universidade. Sempre disse: 'mãe, se não vingar no futebol, largo a bola e volto para a escola'.»

 

AQUELES NOMES SONANTES

 

Enquanto profeissional já viveu de tudo, também: «Aquele ano em que o Belenenses quase desceu de divisão custou-lhe muito. E quando foi para o Benfica pensámos que ia ter vida difícil, poir víamos todos aqueles nomes a assinar... O treinador não o conhecia de lado algum, sabia lá quem era o Ruben ou o Belenenses... Mas sempre lhe disse que tinha de trabalhar, que o momento havia de chegar. E chegou mais depressa do que pensávamos.»

 

Anabela recorda a relação que tem com o filho, um «rapaz terra a terra», simples e discreto no dia a dia. «É uma pessoa tão boa que só podia ter sorte na sua profissão. Estava tão preocupado a semana passada por causa da lesão e foi por causa disso que deu um abraço ao doutor depois de ter marcado o golo. Para nós foi maravilhoso vê-lo. Notei logo na cara dele e na forma como festejou que estava radiante de felicidade», diz a mãe, orgulhosa da relação que existe entre os irmãos.

 

O primeiro golo oficial de Ruben Amorim com a camisola do Benfica foi festejado com tamanha energia que nem David Luiz o deteve

 

OUTRA VEZ O GOLA DO BLUSÃO...

 

Mauro, «com 22 meses de diferença de Ruben», dá-se muito bem com o irmão: «A relação é a melhor possível. O Mauro é o primeiro a criticá-lo no mal e a dizer-lhe quando faz bem. E até brinca com ele dizendo que lhe passou o talento de futebolista», explica, antes de contar novo espisódio de noite de anteontem, que foi longa, dadas as dificuldades de Ruben para responder às necessidades de controlo anti-doping. «Sempre foi assim!», explica Anabela, sem se deter. «No flash interview, o Mauro disse-me: 'olha mãe, lá está a imagem de marca do mano.' E o que era? Era a gola do blusão metida para dentro! Desde miúdo que veste mal os blusões e deixa a gola metida para dentro. O irmão ligou-lhe, a brincar, e ele desculpou-se dizendo que lhe vestiram o blusão à pressa», concluiu, divertida.

 

 


 

«Está feliz... até com o contrato»

 

 

O empresário de Ruben Amorim, Carlos Gonçalves, está ausente do Pais, mas não passou ao lado do feito do jogador em Coimbra, onde se estreou a marcar com a camisola do Benfica, dando contibuto decisivo para que a equipa de Quique Flores saísse de um terreno dificil com os três pontos.

 

«Não falei com ele, mas trocámos mensagens, estava obviamente muito contente. Dei-lhe os parabéns pelo golo», contou o agente do futebolista, que nem sequer quer ouvir falar em aumentos de ordenado. «Não faz sentido algum nesta altura, uma vez que asinámos contrato com o Benfica há seis meses e já nessa altura acertámos aquilo que considerámos justo para ele. Está muito feliz no Benfica, está muito feliz com a sua carreira na equipa e até está muito feliz com o contrato que tem nesta altura», garantiu Carlos Gonçalves.

 

In: A Bola

publicado por Frederica às 18:59
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