Benfica empata (2-2) com V. Setúbal e perde oportunidade de liderança

  • Crónica

 

© Daylife

 

Jogo de loucos na Luz. O Benfica esteve a perder, conseguiu dar a volta mercê de um fantástico início de segunda parte e chegou mesmo a fazer o 3-1 ao minuto 80, mas o árbitro portuense Vasco Santos tornou-se na figura da partida ao "violentar" a lei da vantagem (que ele mesmo deu) e ao não expulsar Sandro quando, nessa mesma jogada, o sadino agrediu Reyes. Depois, bom, depois, o Vitória renasceu e chegou ao empate em tempo de descontos, num estranho golo de bicicleta. A liderança fica, assim, adiada.

 

INSPIRAÇÃO DE PEDRO ALVES

Com Miguel Vítor ao lado de Sidnei na defesa, Carlos Martins fazendo par com Katsouranis no miolo e Cardozo de regresso ao ataque, desta feita ao lado de Suazo, o Benfica apresentou-se com algumas novidades de início, ante o V. Setúbal. E começou bem o Glorioso, jogando pelos flancos e criando lances que baralharam por completo a defensiva contrária, valendo, nesses minutos iniciais, a capacidade de Pedro Alves para evitar males maiores para a formação sadina.

Cardozo, esta noite revelando muita certeza no momento de assistir, deu o mote, entregando, de cabeça, a Suazo, após centro de Jorge Ribeiro. O hondurenho bem se esticou mas não chegou a tempo de inaugurar o marcador, corria o minuto 10. Depois, entre os 15’ e os 23’, foi a vez de Carlos Martins aplicar o seu potente remate. Primeiro na execução de um livre directo, depois num remate de ressaca, com a canhota… mas ambos com destino idêntico: as mãos de Pedro Alves. Ora através das alas, ora em remates de longe, tudo o Benfica tentava para contrariar a tendência de não marcar na primeira parte dos jogos realizados na Luz, a contar para a Liga Sagres. E, aos 30’, Katsouranis, num remate sem preparação, de longa distância, voltou a provar o amargo sabor da estatística. Apesar dos 100km/h do tiro, Pedro Alves voltou a voar para nova defesa.

 

RENASCIDOS DO BALENÁRIOS

 

© Alvaro Isidoro


O mesmo fez Quim, aos 34’, num remate cruzado de Bruno Gama, mas, azar dos azares, a bola foi ter direitinha a Laionel, que se estreou a marcar na Liga Sagres. A invencibilidade benfiquista estava em risco ante um adversário que poucomais fazia do que defender. E os sadinos tinham até a sorte do seu lado, mesmo quando Pedro Alves nada podia fazer. Isso mesmo aconteceu aos 39’, quando Reyes isolou Suazo pela esquerda e este serviu Cardozo. O paraguaio rodopiou e serviu Ruben Amorim que, lançado, atirou de primeira com a bola a ir à barra.

Só que a má fortuna de Ruben Amorim e de Suazo que, na primeira jogada da segunda parte, em situação privilegiada, chutou nas orelhas da bola, foi transformada por Katsouranis num momento de grande felicidade. O grego aproveitou a rosca do hondurenho e chutou forte para o fundo das redes, concretizando uma noite especial, visto ter envergado a braçadeira de capitão, somado o centésimo jogo pelo Benfica e… marcado um golo.

Soou o alarme com o golo de Katsouranis e o Benfica partiu para 15 minutos de altíssimo nível, levando o Vitória a viver autenticamente o verdadeiro “Inferno da Luz” e prometendo o segundo tento. Pedro Alves ainda tentou evitar o inevitável, com uma bela parada, após bomba de Cardozo, mas, aos 57’, nada pôde fazer para deter o remate rasteiro de Suazo, após assistência do activo avançado paraguaio. Um futebol jogado quase sempre ao primeiro toque, com velocidade, verticalidade e apetência pela baliza num Benfica muito agressivo e capaz de imprimir a sua primeira reviravolta da época.

 

EIS O SENHOR SANTOS

O ritmo abrandou, como seria de esperar, nos últimos 20 minutos da partida. Mas as emoções voltaram aos 80’, quando Vasco Santos decidiu borrar a pintura. Reyes foi agredido ao pontapé por Sandro (que já tinha um amarelo), tendo a bola sobrado para Jorge Ribeiro. O árbitro mandou seguir, dando a lei da vantagem, e o lateral serviu Suazo para o que seria o 3-1. Seria e não foi porque o juiz do Porto decidiu voltar com a palavra atrás e assinalou a falta. E o mais incrível é que poupou o jogador sadino à expulsão.

 

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E como o golo do Benfica não valeu, o Vitória acreditou até final e já em tempo de descontos aconteceu o impensável: na sequência de um canto, Anderson chutou de bicicleta e a bola fez um arco imprevisível que traiu Quim. O Vitória chegava ao empate de forma incrível. Má fortuna e uma lamentável decisão do árbitro deitaram tudo a... empatar.

 

In: SLBenfica.pt

 

Benfica: Quim; Maxi Pereira, Sidnei, Miguel Vítor e Jorge Ribeiro; Ruben Amorim, Carlos Martins, Katsouranis e Reyes; Suazo e Cardozo.
Ainda jogaram: Yebda (Carlos Martins, 76min), Urreta (Cardozo, 81min) e David Luiz (Jorge Ribeiro,  85min).

Golos: Katsouranis (48min), David Suazo (58min).

Cartões Amarelos: Katsouranis (37min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

V. Setúbal: Pedro Alves; Janício, Robson, Anderson e Cissokho; Sandro, Mateus, Ricardo Chaves e Leandro Lima; Laionel e Bruno Gama.
Ainda jogaram: Elias (Laionel, 54min), Leandro (Ricardo Chaves, 63min) e Carrijo (Bruno Gama, 73min).

Golos: Laionel (35min) e Anderson (90min).

Cartões Amarelos: Sandro (75min, 90min).

Cartões Veremelhos: Sandro (acumulação de amarelos 75min e 90min).

 

  • Avaliações

 

© Alvaro Isidoro

 

"Entrou mal, parecendo perdido no terreno. Subiu de produção, participando no jogo atacante, como se viu no 2º golo. Esteve muito perto de marcar aos 40 minutos, quando atirou à trave. (3)", In: Record

 

"Discreto na primeira metade - excepção para o tira à barra (40') -, voltou das cabinas com alma renovada e foi importante a dar equilíbrio ao meio-campo. (6)", In: O Jogo

 

"Aquele remate à trave...

É um trabalhador por excelência, que se preocupa, em primeira instância, em ser útil para que a equipa consiga alcançar os seus objectivos. Quase ao findar a primeira parte teve um remate que só a trave deteve, golo negado que seria recompensa certa para exibição regular. Mas após o descanso não conseguiu mantes a mesma bitola exibicional. (6)", In: A Bola

publicado por Frederica às 23:10
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