Benfica regressa às vitórias (0-2)

  • Crónica

 

 

© VitóriaSC.pt

 

O Benfica alcançou o quarto triunfo consecutivo no Berço, em menos de um ano. A formação encarnava está a desenvolver um historial de sucesso nas visitas ao reduto do V. Guimarães e voltou a ser feliz. Com um golo a abrir e outro ao cair do pano, os encarnados entraram com o pé direito na terceira fase da Taça da Liga, partilhando a liderança no Grupo C com o Belenenses. Katsouranis (9m) e Carlos Martins (81m) devolveram o espaço de manobra a Quique.

 

As equipas apresentavam-se no Estádio D. Afonso Henriques com estados de espírito distintos. O Vitória de Guimarães chegava em crescendo, depois de um triunfo vistoso em Vila do Conde (2-4), enquanto o Benfica procurava recuperar a postura altiva após desaire penoso na deslocação à Trofa. Manuel Cajuda repetiu a fórmula utilizada frente ao Rio Ave, face ao sucesso da operação, vendo Quique Flores mudar quase tudo.

 

Katsouranis desbrava o caminho

 

O treinador do Benfica entregou a baliza a Moretto, num processo de contínua rotatividade entre os guarda-redes do plantel encarnado, preparando mais uma mão cheia de alterações. O brasileiro, refira-se desde já, respondeu à altura. Ouviu das boas quando arriscou uma finta de pés sobre Roberto, ainda na primeira parte, mas compensou a ousadia com uma postura irrepreensível nos lances aéreos, fora da baliza.

 

Miguel Vítor e David Luiz não convenceram totalmente no sector defensivo, ao contrário de Katsouranis e Yebda no sector intermediário. Esta dupla, aliás, marca pontos na luta pela titularidade. O grego viria a inaugurar o marcado ao nono minuto de jogo, após canto cobrado por Aimar. O Benfica chegava à vantagem depois de duas belas defesas de Nilson: bem frente a Aimar, soberbo a negar o golo a Dí Maria.

 

O extremo argentino voltou a desiludir, tal como Balboa. Sexta novidade no onze de Quique Flores, o ala recrutado ao Real Madrid tarda em justificar o investimento. À meia-hora, quando seguia para o banco de suplentes à procura de uma garrafa de água, percebeu que nem havia direito a uma pausa. O seu tempo estava no fim. Durou 37 minutos no relvado.

 

 

© VitoriaSC.pt

 

Um castigo antes do ponto final

 

O Vitória de Guimarães queria aproveitar o período de fulgor e tentou lutar, uma vez mais, contra um golo consentido de forma precoce. Aliás, Manuel Cajuda ainda estará a tentar perceber como a sua equipa falhou a marcação a Katsouranis num movimento do grego que já é sobejamente conhecido do grande público.

 

A formação vitoriana, após uma dezena de minutos, partia atrás do prejuízo mas voltava a denotar falta de profundidade ofensiva. Após uma etapa inicial sobre grandes oportunidades de golo, o treinador local voltou a apostar na dose dupla de risco. Nuno Assis e Marquinho entraram para agitar as hostes e o segundo protagonizou um lance passível de castigo máximo, em duelo com Maxi Pereira. Olegário Benquerença mandou seguir (do outro lado, queixas legítimas num fora-de-jogo mal assinalado a Dí Maria, na etapa inicial).

 

Os adeptos começavam a adivinhar o pior. O Benfica limitava-se a aguentar a pressão, a defender de forma humilde e espreitando o contra-ataque a uma cadência pontual. Bastou. Na recta final do encontro, Suazo serviu Ruben Amorim à direita e este cruzou para o pontapé vistoso de Carlos Martins, perante a passividade de Moreno. Ponto final.

 

In: Maisfutebol

 

 

V. Guimarães: Nilson; Andrezinho, Gregory, Moreno e Luciano Amaral; Luís Filipe, João Alves, Wénio e Desmarets; Roberto e Fajardo.

Ainda jogaram: Nuno Assis (Wénio, 46min), Marquinhos (Luciano Amaral, 46min), Jean (Andrezinho, 71min).

Golos: nada a assinalar.

Cartões Amarelos: Wénio (40min), Moreno (61min), Gregory (70min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

 

Benfica: Moretto; Maxi Pereira, Luisão, Miguel Vítor e David Luiz; Balboa, Katsouranis, Yebda e Di María; Aimar e Suazo.

Ainda jogaram: Ruben Amorim (Balboa, 36min), Jorge Ribeiro (66min), Carlos Martins (Aimar, 76min).

Golos: Katsouranis (8min), Carlos Martins (80min).

Cartões Amarelos: Yebda (30min), Miguel Vítor (49min), Jorge Ribeiro (72min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

 

  • Avaliações

 

 

"Geriu bem o espaço, entre a linha e o meio campo, apoiando a zona central. Ao cabo de várias saídas em contra-acaque, fez o passe milimétrico para o golo de Carlos Martins. (3)", In: Record

 

"Opção acertada. Deu equilíbrio à equipa, tornando-a mais coesa, e participou em diversas situações de perigo. A principal aos 80min, quando assistiu Carlos Martins para o 0-2. (7)", In: O Jogo

 

"Balboa também o viu a jogar...

Entrou em jogo aos 37 minutos, para o lugar de Balboa. O ex-belenense fez mais em cinco minutos do que o ex-Real Madrid em pouco mais de meia hora, e se Ruben Amorim começou por travar o andamento perigoso de Luciano Amaral, na segunda parte, várias vezes convocou o passe dos companheiros para acelerar o ritmo da águia e alimentar a ilusão de um triunfo mais tranquilo. Nesse segmento, o ala encarnado surgiu a cruzar para Carlos Martins a bola que Suazo tirou dos pés a Moreno, no lance do 0-2. Consequente a atacar e solidário a defender, ontem, pelo menos, Ruben Amorim foi um dos bons portugueses de uma áquia que, ferida no campeonato, recuperou o caminho das vitórias nesta Taça da Liga que para os grandes ainda não é a eliminar. (A figura, 7)

 

> Chegou fresco do bano de suplentes e depressa deu outra vivacidade ao ataque. Neste lance (43min) deixou os defesas do Vitória para trás e descobriu Suazo, que rematou para a bancada.

Soberana a forma como Ruben Amorim conduz a bola pelo flanco direito, descobrinco Carlos Martins, sem marcação, no coração da área e pronto para fazer o segundo golo da noite (81min).", In: A Bola

 

"Bom e barato. Um exemplo da política a seguir pelos clubes portugueses. Substituiu Balboa e acrescentou clarividência ao flanco direito. Destaque para a assistência primorosa no golo de Carlos Martins", In: Maisfutebol

 

  • Declarações

 

«Se não jogarmos com atitude, não ganhamos»

 

 

Ruben Amorim, jogador do Benfica, comentou desta forma o triunfo frente ao Vitória de Guimarães, após um desaire penoso com o Trofense na última jornada na Liga:

 

«Na Trofa, nós não retribuímos o apoio dos adeptos devidamente. Este jogo serviu lutar um pouco mais e conseguimos o resultado pretendido. As palavras do presidente e do Rui Costa foram importantes, mas não é por aí. Os jogadores não querem fugir às suas responsabilidades. Fomos nós que jogámos mal, portanto competia a nós dar a resposta. Penso que conseguimos fazê-lo. São coisas que acontecem no futebol, a culpa foi dos jogadores e não precisámos que nos viessem dizer aquilo que fizemos mal, porque isso era notório. Penso que rectificámos, jogámos um pouco do nosso orgulho hoje.»

 

«Temos sempre de ter esta atitude. Jogámos contra o último classificado da Liga, nós estávamos em primeiro, e viu-se o que aconteceu. Se não jogarmos com atitude, não vencemos nenhum jogo. Não há medo do Braga, mas sim respeito. Conheço bem o treinador que lá está, mas sei que vamos responder à altura. Vai ser um bom jogo. Custou perder a liderança, mas mais que isso, foi aquele jogo, a forma como jogámos. Não gostámos de perder, mas perder com outro tipo de atitude é diferente...»

 

In: Maisfutebol

publicado por Frederica às 23:51
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