Empate (1-1) no Clássico mantém Benfica em segundo

  • Crónica

 

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Houve quem dissesse que os clássicos não se jogam, ganham-se. É mentira. Como o resultado do F.C. Porto-Benfica justifica, aliás. Por princípio os clássicos não se ganham: jogam-se e sofrem-se. Sobretudo sofrem-se. Por isso tornam-se jogos mais emotivos do que propriamente espectaculares. O clássico desta noite foi-o sem dúvida.

 

Serve esta introdução para dizer que o Benfica esteve a vinte minutos de ganhar no Dragão. Não o conseguiu porque uma grande penalidade inexistente o impediu, ao mesmo tempo que lançou o F.C. Porto para a procura da vitória. Mas esteve a vinte minutos de ganhar o clássico porque tem um jogador que não sofre, pensa futebol.

 

Pablo Aimar, claro. O argentino foi a pedra de toque que sustentou o melhor Benfica dos últimos anos no Dragão. Talvez melhor até do que a equipa que há três anos ganhou com dois golos de Nuno Gomes. Mais competente, pelo menos. Uma equipa que surgiu na segunda parte segura, personalizada, a matar os tempos de jogo e a reacção portista.

 

Até ao minuto em que Pedro Proença se deixou ludibriar pela queda de Lisandro, o jogo parecia controlado. Um remate de Hulk para boa defesa de Moreira era o melhor que o Porto tinha conseguido em 25 minutos de desvantagem. Na origem deste bom Benfica esteve Aimar, claro: inteligente, maduro, tecnicista, distinto. Deu estamina à equipa.

 

A grande penalidade inexistente, por suposta falta de Yebda sobre Lisandro, alterou tudo. Lucho marcou da marca de onze metros, como tinha marcado na primeira volta (os azuis esta época só marcaram de penalty ao Benfica), o F.C. Porto moralizou-se e o empate tornou-se um mal menor para os encarnados. Por isso o resultado é justo. Muito.

 

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Mais F.C. Porto primeiro, melhor Benfica depois

 

O F.C. Porto foi de resto mais ofensivo, mostrou mais vontade deliberada de ganhar, teve mais ocasiões de golo e por isso saltou mais à vista. Na primeira parte, sobretudo na primeira, criou várias oportunidades para marcar. Lucho, Lisandro, Hulk ficaram muito perto de inaugurar o marcador e só não o fizeram por desacerto na finalização.

 

O Benfica, é verdade, demorou a entrar no jogo. Só na parte final da primeira parte é que conseguiu equilibrar as coisas. Até aí tinha mostrado uma faceta normal nos últimos anos no Dragão: receio. Demasiado receio. Os adversários eram sempre mais rápidos, mais expeditos, mais furiosos. Por isso dominavam e carregavam sobre o ataque.

 

Até que um pequeno argentino decidiu assumir a condução do futebol da equipa. Um daqueles jogadores não faz tudo no limite do esforço. Nada disso. Um jogador que não sofre a emoção dos clássicos, desfruta-a. Com isso moraliza a equipa, tranquiliza-a, personaliza-a. Nessa altura o Benfica sentiu-se bem, melhorou e cresceu até marcar.

 

Como muitas vezes esta época, marcou de bola parada. Num canto em que Rolando ficou parado e Yebda cabeceou para golo. Empurrando o Benfica para uma segunda parte segura, até ao instante em que Pedro Proença se equivocou. O que diz tudo sobre a sua noite. No final o empate é justo. O F.C. Porto atacou mais. O Benfica pensou melhor.

 

O empate deixa tudo igual: um ponto separa os dois candidatos. Temos campeonato.

 

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In: Maisfutebol

 

FC Porto: Helton; Fucile, Bruno Alves, Rolando, Cissokho; Fernando, Lucho González, Raul Meireles; Lisandro, Hulk, Rodríguez.
Ainda jogaram: Mariano González (Raul Meireles, 65min), Farías (Lisandro, 89min).
Golos: Lucho (72min, g.p.).
Cartões Amarelos: Fernando (50min).
Cartões Veremelhos: -

 

SL Benfica: Moreira; Maxi Pereira, Luisão, Sidnei, David Luiz; Ruben Amorim, Katsouranis, Yebda, Reyes; Pablo Aimar, Suazo.
Ainda jogaram: Di María (Suazo, 62min), Nuno Gomes (Reyes, 87min), Carlos Martins (Pablo Aimar, 90min).
Golos: Yebda (45min).
Cartões Amarelos: Maxi Pereira (52min), Katsouranis (64min), Yebda (70min).
Cartões Vermelhos: -

 

  • Avaliações

 

 

"Operário que assume um posto de chefia. Esta é a imagem de um jogador cujas principais características são o empenho e a solidariedade, mas que é obrigado a pisar terrenos que exigem velocidade, drible curto e acuidade de cruzamento. Sem arriscar ofensivamente, jamais virou a cara à luta no reagrupamento defensivo. (3)

Km percorridos: 10,027

Velocidade média: 6,9Km/h", In: Record

 

"O rigor táctico marcou a sua exibição na exacta medida em que o seu futebol foi telegrafado e previsível. Ainda assim, ganhou cantos, pressionou Cissokho e, aos 58', obrigou Helton a uma defesa difícil. (5)", In: O Jogo

 

  • Curiosidades


 

Amorim travado no Dragão

 

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Ruben Amorim foi impedido de falar no final do encontro, porque quando se preparava para se deslocar à zona mista do estádio, elementos ligados ao FC Porto retiraram os painéis, segundo garantiu João Gabriel, director de comunicação das águias.

O Benfica queixa-se ainda dos adeptos do clube terem sido impedidos de entrar no estádio na primeira parte, sendo que só tiveram acesso às bancadas já perto do intervalo. Os bisboetas estranham este comportamento, que não se verificou no jogo da primeira volta na Luz.

Saliente-se que, no final do jogo, Shéu pediu aos jogadores que se dirigissem aos adeptos, para oferecerem camisolas.

 

In: Record

publicado por Frederica às 18:58
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