Um rubi

  • Reportagem


 

© Isabel Cutileiro

 

Quando um jogador (ou treinador) sai do Belenenses - a minha equipa do coração - torço para que tenha sucesso no clube para onde vai. E, hoje, essa é mesmo a única forma de um adepto do Belenenses ter alegrias - perante o descalabro que o clube vive. Assim, não recunda muito no tempo, desejei que César Peixoto se impusesse no FC Porto (e tal só não aconteceu porque se lesionou gravemente quando parecia ter conquistado um lugar na equipa). Foço votos para o Rolando seja feliz no mesmo FC Porto e na Seleção. E espero que Jorge Jesus se afirme definitivamente no Braga.

 

Amorim tem uma qualidade rara

entre os futebolistas: pensa o jogo

 

Não falei propositadamente de Ruben Amorim. É um jogador que vestiu muitos anos de azul e que nesta época foi transferido para o Benfica. Não se fala muito nele porque dá pouco nas vistas: é um homem discreto, sorumbático, talvez até um pouco triste. Mas tem uma qualidade vulgar entre os futebolistas: pensa o jogo. Numa equipa como a do Benfica, que tem muitos jogadores talentosos mas aos quais falta capacidade para controlar a ansiedade, para reter a bola quando é necessário, para fazer uma pausa no jogo, Amorim tem esse talento. É um oásis de tranquilidade, sabe transmitir calma ao conjunto, tem o poder de devolver a paz a um grupo em ebulição.

 

Numa equipa repleta de jogadores explosivos mas um tanto "desmiolados", como Carlos Martins, Suazo, Jorge Ribeiro, Balboa, etc, Ruben Amorim é um referencial de estabilidade, de controlo emocional. Faz lembrar Tiago, que desempenhou esse papel na equipa da Luz há umas épocas atrás.

 

Tal por isso Quique Flores já disse que a equipa do Benfica é uma com Ruben Amorim e outra sem ele. E por essa razão lhe chamei um rubi.

 

Por: José António Saraiva;

Futebol à Portuguesa, Record

publicado por Frederica às 17:04
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