Benfica perde com a Académica, e fica cada vez mais longe do título

  • Crónica

 

© Daylife

 

E agora? O Benfica perdeu frente à Académica (0-1), que conseguiu a sua primeira vitória fora, e fica a quatro pontos do Sporting. Os encarnados jogaram melhor que o adversário, criaram oportunidades e até atiraram duas bolas «ao ferro», mas o destino parecia estar traçado. Por mais oportunidades que criassem a bola «não queria» entrar. Terá sido falta de eficácia? Falta de sorte? Uma grande exibição de Peskovic? Certo é que faltaram golos e as contas complicam-se para o Benfica.

 

Quique Flores mexeu na defesa e no meio-campo. Sidnei entrou para o centro da defesa e David Luiz encostou à esquerda, remetendo Jorge Ribeiro para o banco. Yebda nem sequer foi convocado e Katsouranis não entrou. Carlos Martins e Ruben Amorim assumiram as funções dos médios mais recuados, para defender e distribuir jogo. O camisola 15 não teve uma exibição muito feliz, enquanto Carlos Martins sobressaiu. Reyes entrou para a direita e Aimar ficou na esquerda.

 

Nos primeiros minutos ficou a sensação de que o Benfica não tinha meio-campo, com Carlos Martins e Ruben Amorim a terem dificuldades em perceber qual o seu papel em campo. O conjunto encarnado esteve em clara desvantagem, já que se tratou de um duelo de dois contra três da Académica, que tinha o meio-campo mais preenchido. Mas as transições não funcionaram ou então foram demasiado lentas, denunciadas. Muitos dos lances de ataque começaram com passes longos da defesa para os homens mais adiantados.

 

Os encarnados até criaram oportunidades e protagonizaram lances bonitos, mas faltou eficácia e maior objectividade. David Luiz esteve em duas dessas ocasiões, Cardozo proporcionou uma grande defesa a Peskovic e Aimar atirou à trave.

 

Os «estudantes» tiveram o mérito de colocar três homens à frente, com dois alas rápidos, que seguraram Maxi Pereira na defesa. Já David Luiz foi mais audaz. Isso fez com que o defesa estivesse em algumas das melhores oportunidades dos encarnados. Mas também foi ele que não esteve «lá atrás» quando Miguel Pedro entrou pela direita. Miguel Vítor, que teve de proteger o lado pertencente ao brasileiro, ofereceu o primeiro canto aos visitantes.

 

©  Daylife

 

Uma oportunidade, um golo

 

Foi na sequência desse lance que surgiu o golo da Académica, aos 23 minutos. Miguel Pedro cobrou o canto e Tiero nem teve de saltar. O número 33 cabeceou e fez o 0-1. Com isto não se pretende culpar David Luiz, mas constatar que, embora o defesa tenha feito uma boa exibição, principalmente a atacar, a verdade é que continua a mostrar que não tem velocidade para se recolocar no seu lugar.

 

O jogo não foi bonito. O Benfica não fez um jogo brilhante, mas as melhores oportunidades pertenceram-lhe. Logo, a desvantagem ao intervalo parecia algo injusta (se é que se pode falar em justiça quando se fala em jogo, onde a sorte, o azar e uma série de elementos estão presentes).

 

A Briosa conseguiu um canto e aproveitou bem o lance e a passividade adversária. Sem brilhar, também soube impor alguma superioridade no meio-campo. Para além disso, notou-se entreajuda entre sectores, que recuaram em bloco para defender.

 

© Daylife

 

Domínio sem golos

 

As equipas regressaram dos balneários sem alterações. O Benfica parecia decidido a dar a volta ao resultado, mas faltava-lhe velocidade. Ainda assim, Cardozo quase marcou aos 52 minutos. A bola embateu «no ferro». Três minutos depois David Luiz, ao segundo poste, rematou para a defesa de Peskovic. Aos 58 Aimar colocou a bola dentro da baliza, mas o árbitro marcou falta de Nuno Gomes sobre Peskovic, considerando existir obstrução (um lance que promete dar que falar). Aos 81 minutos David Luiz caiu na área, mas o árbitro nada assinalou. Há uma mão de Miguel Pedro nas costas do defesa.

 

Na segunda parte só deu Benfica. Nem sempre bem, mas só deu Benfica. A Académica, que ficou reduzida a dez por expulsão de Hélder Cabral (73m), limitou-se a ver jogar e a tentar proteger a vantagem.

 

In: Maisfutebol

 

Benfica: Quim; Maxi Pereira, Sidnei, Miguel Vítor, David Luiz; Reyes, Ruben Amorim, Carlos Martins, Aimar; Nuno Gomes, Cardozo.
Ainda jogaram: Di María (Nuno Gomes, 65min), Mantorras (Carlos Martins, 76min), Balboa (83min).
Golos: -
Cartões Amarelos: Reyes (68min).
Cartões Vermelhos: -

 

Académica: Peskovic; Pedrinho, Luiz Nunes, Orlando, Hélder Cabral; Cris, Nuno Piloto, Tiero; Miguel Pedro, Carlos Saleiro, Lito.
Ainda jogaram: Éder (Carlos Saleiro, 60min), Markus Berger (Cris, 62min), Amoreirinha (Lito, 75min).
Golos: Tiero (23min).
Cartões Amarelos: Hélder Cabral (56min, 73min), Nuno Piloto (64min), Amoreirinha (90min).
Cartões Vermelhos: Hélder Cabral (dois amarelos aos 56min e 73min).

 

  • Avaliações

 

 

"Regressou ao miolo e foi o elemento que veio a recuperar mais bolas. Contudo, tal como Carlos Martins, falhou na transição ofensiva. (2)", In: Record

 

"Discreto, discreto, discreto. Não assumiu nada no centro do terreno. Um ou outro passe bem medido não disfarçam uma noite negativa do médio. (4)", In: O Jogo

 

  • Declarações

 

«Não é só um jogo... o título fica mais longe»

 

© Alvaro Isidoro

 

Ruben Amorim reconhece que o ambiente no seio do grupo encarnado, no final do encontro, não era o melhor, até porque, com a vitória do FC Porto, o objectivo principal de chegar ao título está cada vez mais longe de conseguir.

 

"O balneário estava muito triste e, para verem, não havia diferença para a semana passada, quando vencemos na Reboleira, com uma exibição mais fraca. Estamos tristes porque não é apenas um jogo. É o campeonato, o título, que fica mais longe", admitiu o médio, após a derrota de ontem.

 

Ao recordar a má exibição frente ao Estrela da Amadora, na jornada passada, Ruben Amorim deixa um desabafo inconformado: "Ás vezes mais vale ganhar e não jogar bem, porque o importante no futebol são os três pontos. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance."

 

O jogador diz entender "a desilusão dos adeptos", porque a equipa "fica mais longe do título", mas promete "trabalho até final".

 

"Temos de pensas nos nossos jogos, pensar em vencê-los e depois veremos o que acontece. Não tivemos sorte. Penso que podíamos estar aqui até amanhã e não fazíamos um golo", disparou.

 

In: Record

 

  • Curiosidades

 

Pela quarta vez no meio

 

 

Yebda não foi convocado e Katsouranis ficou-se pelo banco (12.º jogo fora do onze titular), o que obrigou Amorim a derivar para o miolo, o seu terreno predileto.

O camisola 15 realizou ontem o 4.º encontro da época no meio (desta feita perto de Martins), após as receções ao Leixões (Liga/na companhia de Katso), Penafiel (Taça/Binya) e a final com o Sporting (Taça da Liga/Katso).

 

In: Record

(adaptado)

publicado por Frederica às 20:39
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