Inter de Milão ganha Eusébio Cup (0-0; 3-4 a.g.p)

  • Crónica

 


© Carlos Rodrigues

 

O Benfica perdeu com o Inter (4-5), em jogo da primeira edição da Eusébio Cup. O encontro terminou empatado sem golos e decidiu-se nos penalties. Mas o resultado parece ser o menos importante. Não pode dizer-se que os 54 mil adeptos, que se deslocaram à Luz, tenham assistido a um bom jogo. Foi, talvez, um bom treino para ambas as equipas. A formação de Mourinho mostrou estar mais organizada e até pode dizer-se que a qualidade individual dos atletas italianos também é maior, mas o futebol é um jogo colectivo. Um grupo coeso pode fazer tombar gigantes.

 

Olhando para o campo, as diferenças iam desde a estatura física à organização táctica. Os jogadores do Benfica corriam muito atrás da bola, enquanto os italianos pareciam não precisar de suar para trocá-la e colocá-la nos companheiros. Os encarnados mostraram vontade, o conjunto de Milão «limitou-se» a fazer «rolar» a bola.

 

Mourinho parecia não estar a gostar do futebol «passivo» praticado pelo seu conjunto. Não basta ser muito «certinho», há necessidade de ter como objectivo fazer golos. Treino, ou não, a verdade é que estava um troféu em causa. E, já se sabe, Mourinho não gosta de perder.

 

O Benfica teve dificuldades em chegar à baliza de Júlio César, porque o 4x3x3 montado pelo treinador português jogou em bloco. Na hora de defender, os defesas e os médios formaram, muitas vezes, uma muralha que parecia intransponível.

 

Poucas ocasiões, poucas emoções

 

Aos dez minutos, uma boa jogada entre Ibrahimovic e Figo quase deu golo para o Inter. Quim defendeu o remate do antigo companheiro de selecção. Cinco minutos depois Cardozo atirou ao poste. Aos 36, o camisola 7 dos milaneses teve uma perdida incrível (mais ainda quando se fala de um jogador com a sua experiência). Ibrahimovic cruzou, Figo falhou o remate, de frente para a baliza. Aos 42 minutos Ruben Amorim colocou Júlio César à prova. Estas foram as melhores ocasiões dos primeiros 45 minutos.

 

Os encarnados aceleraram nos últimos momentos da primeira parte, mas de forma inconsequente. Serviu, no entanto, para acordar o público da Luz, que não teve muitas oportunidades para sentir alguma emoção. O jogo «animou», as bancadas «responderam».

 

Na segunda parte, Quique tirou Ruben Amorim e Urreta e colocou Balboa e Reyes, muito aplaudido pelos adeptos. Ficava a sensação de que poderiam existir mudanças. Certo é que no Inter, sem que existissem substituições, houve alterações. Os milaneses tentaram acelerar um pouco o jogo, mas começaram a revelar-se menos organizados.

 

A equipa da casa parecia equilibrar as contas ou, pelo menos, tentar. Com as entradas de Reyes e Balboa jogou-se mais pelas alas (Urreta mostra imaturidade e Ruben Amorim não é um extremo), mas faltou alguma objectividade.

 

Aproveitar para experimentar

 

Quique Flores fez muitas alterações e seria normal que se quebrasse algum fio de jogo (o pouco que existia). Continuou a existir muita vontade, mas do outro lado voltou a surgir um Inter mais organizado. Ibrahimovic quase marcou aos 72 minutos, valeu a acção de Quim e Luisão.

 

Aos 75 minutos Figo foi substituído. Na Luz ouviram-se aplausos e assobios (talvez daqueles que se esqueceram que este era um jogo particular, uma partida de homenagem).

 

Quique Flores tem ainda muito trabalho para fazer e sabe disso. O treinador disse que era altura de colocar a equipa à prova, pois neste jogo pôde voltar a ver o que tem de corrigir neste Benfica. Há que dar o benefício da dúvida ao espanhol e a este plantel, mas é certo que é preciso acelerar processos.

 

Uma nota para a festa, a homenagem. Eusébio deu o pontapé de saída e todos o aplaudiram de pé. Todos mostraram respeito pela carreira que construiu e pelos sacrifícios que fez pelo futebol e pelo «seu» Benfica.

 

Benfica: Quim; Maxi Pereira, Luisão, Katsouranis, Léo: Yebda, Carlos Martins, Ruben Amorim, Urreta; Aimar, Cardozo.

Jogaram ainda: Balboa, Reyes, Nélson, David Luiz, Nuno Gomes, Fellipe Bastos e Binya.

Golos: nada a assinalar.

Cartões Amarelos: Léo (86min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

Grandes penalidades: Aimar (marcou), Fellipe Bastos (falhou), Reyes (marcou), Nuno Gomes (marcou), Nélson (falhou).


Inter de Milão: Júlio César; Zanetti, Burdisso, Maicon, Maxwell; Muntari, Cambiasso, Stankovic; Figo, Mancini, Ibrahimovic.

Jogaram ainda: Jimenez, Balotelli e Pelé.

Golos: nada a assinalar.

Cartões Amarelos: Stankovic (23min); Pelé (87min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

Grandes penalidades: Maxwell (marcou), Balotelli (marcou), Atankovic (marcou), Ibrahimovic (falhou), Burdisso (marcou), Cambiasso (marcou).

 

© Carlos Rodrigues

 

  • Avaliações

 

"Alternou a desinspiração com a boa gestão da posse de bola que lhe tem sido característica. Uma oportunidade de difícil concretização na cara de Júlio César. (3)", In: Record

 

"Uma vez mais encostado à direita e novamente a deixar boas indicações. Bem a ler o jogo e sem medo de ter a bola no pé, foi ele quem iniciou o lance culminado com a bola atirada ao poste por Cardozo e ainda tentou, ele próprio, facturar. Júlio César fechou, no entanto, todos os caminhos. ", In: O Jogo

 

"Ruben Amorim e Maxi Pereira: um flanco?
Juntos foram uma vez à linha. Ambos devem muito à rapidez e na realidade não são jogadores de ala. Viu-se mais uma vez que sentem dificuldades em construir um flanco. Por outro lado, são fiáveis quando é preciso defender. Percebe-se a opção de Quique Flores, mas o treinador espanhol cedo perceberá que no campeonato português é preciso maior capacidade para desequilibrar. Aliás, a entrada de Balboa ao intervalo é sinal de que começa a sentir necessidade de resolver esta equação.", In: Maisfutebol

publicado por Frederica às 18:16
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