Empate em Vila do Conde (1-1)

  • Crónica

 

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No nevoeiro de Vila do Conde, coube a Nuno Gomes fazer o papel de justiceiro diante de um Rio Ave tremendamente defensivo e que construiu uma autêntica muralha diante da sua baliza. O avançado benfiquista conseguiu dar o empate ao Benfica, após um golo fortuito do adversário, numa partida igualmente marcada pela lesão de Carlos Martins, que saiu ainda durante a primeira parte. Feitas as contas, uma noite menos feliz neste arranque da Liga Sagres, pois o Benfica criou futebol suficiente para levar de vencida um Rio Ave demasiadamente preocupado em defender o empate.

Maldita barra

Esta foi notoriamente uma noite em que a transpiração substituiu a inspiração. O Benfica cedo se deparou com as típicas dificuldades em voga no campeonato luso, tendo pela frente uma formação compacta, agressiva e cini
camente capaz de transformar uma recuperação de bola num lance de contra-ataque. É certo que, aos poucos, a formação liderada por Quique Flores (que apresentou o mesmo “onze” do jogo com o Inter de Milão) conseguiu colocar em prática a sua condição de favorito, mas sempre em esforço, tal a concentração defensiva de um adversário que, em termos ofensivos, se revelou demasiadamente dependente das investidas de Semedo.

Ora, se bastaram cerca de 10/15 minutos para o Benfica controlar o jogo em termos defensivos, faltou-lhe, ainda assim, ser mais incisivo na hora de expandir jogo pela frente atacante, raras vezes a bola chegando à dupla Aimar/Cardozo. Assim, foi de longa distância que o Benfica procurou encontrar soluções, cabendo a Carlos Martins, com três bons remates, personificar tal tendência. Pena foi que o internacional luso se tenha lesionado (num choque com Yebda) e, apesar da tentativa de se manter em campo, cedido o seu lugar a Fellipe Bastos.

 

Mas o virtuoso jogador benfiquista, ainda antes de sair, teve mesmo nos pés uma excelente ocasião de golo, quando, na sequência de um canto, recebeu a sobra e atirou para boa defesa de Paiva. Do minuto nove ao 36’ muita bola rolou, mas poucas oportunidades se viram, tendo Yebda, nesse momento, voado, novamente na sequência de um canto, para a bola, dando-lhe asas para a barra.

Marcas tu... marco eu

Quique pretendia um Benfica com maior presença na frente e, por isso, apostou em Nuno Gomes, dando o flanco (esquerdo) a Aimar e deslocando Urreta para a direita. E o que é certo é que o Benfica melhorou, sendo quase Sebastiânica a forma como Nuno Gomes, por entre um nevoeiro cada vez mais serrado, cabeceou para o golo do empate no minuto (55’) seguinte ao tento de Semedo, este apontado na sequência de um pontapé de canto da turma vilacondense. Nota no golo benfiquista para o excelente centro do irreverente Urreta.

Assistiu-se, após o tento do empate, à melhor fase da partida, com um Benfica cada vez mais acelerado e a apostar tudo no ataque. Já com Balboa na direita, os “encarnados” mostraram maior capacidade física, obrigando o oponente a defender-se (com unhas e dentes) no seu último reduto. O melhor lance do Benfica surgiu em cima do minuto 90, quando Nuno Gomes isolou Aimar e este picou a bola por cima de Paiva, saindo a mesma um pouco ao lado. Esfumava-se, assim, a possibilidade de o Benfica entrar com o pé direito na Liga Sagres, apesar de ter sido a única equipa a procurar a vitória.

 

Rio Ave: Paiva; Miguel Lopes, Gaspar, Bruno Mendes, Sílvio; André Vilas Boas; Tarantini, Delson, Livramento, Evandro; Semedo.

Ainda jogaram: Ronaldo (Semedo, 72min), Niquinha (Tarantini, 82min), André Carvalhar (Livramento, 90min).

Golos: Semedo (56min).

Cartões Amarelos: Miguel Lopes (45min), Tarantini (69min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

 

 

Benfica: Quim; Maxi Pereira, Luisão, Katsouranis, Léo; Ruben Amorim, Yebda, Carlos Martins, Urretavizcaya; Aimar, Cardozo.

Ainda jogaram: Fellipe Bastos (Carlos Martins 28min), Nuno Gomes (Ruben Amorim, 46min), Balboa (Urretavizcaya, 70min).

Golos: Nuno Gomes (57min).

Cartões Amarelos: Luisão (78min).

Cartões Vermelhos: nada a assinalar.

 

 

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  • Avaliações

 

"Mais uma vez, foi o eleito por Quique Flores para ocupar a ala direita do meio-campo. Com dificuldades para ultrapassar Sílvio, rebricou actuação sensaborona. Faltou-lhe acutilância atacante.", In: Record

 

"Esforçado, tentou virar bem o flanco do jogo com passes longos, mas acabou por não conseguir fazer a diferença no sector intermediário como se lhe exige naquela posição. Não merece apreciação negativa.", In: O Jogo

publicado por Frederica às 16:44
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