Resolvendo cedo, o Benfica vence (1-3) num terreno difícil

  • Crónica

 

© Isabel Cutileiro

 

O Benfica resistiu à chuva, às ausências, ao desgaste psicológico pelo desaire na Liga Europa. Em Paços de Ferreira, a formação de Jorge Jesus voltou a alimentar uma empatia crescente com milhões de adeptos encarnados. Missão cumprida sem sobressaltos, na 100ª vitória do treinador no campeonato nacional (1-3).

 

Paulo Sérgio anunciou o seu onze de véspera mas cedo percebeu que serviria apenas de banda de apoio ao espectáculo principal. A abnegação pacense, na etapa complementar, não apaga o brilho das águias na primeira metade. Este Benfica mais português, face às alterações forçadas, apresenta uma dinâmica imune a cenários adversos. Compreende-se o relaxamento final, num ciclo intenso de jogos.

 

Megaprodução por todo o país

 

Luzes, vénia, acção! A digressão do Benfica, com trejeitos de megaprodução, continua a encantar adeptos em vários pontos do país. A comitiva chega no veículo oficial, altiva mas sorridente para uma massa humana sem paralelo. Com sol, com chuva, eles estão sempre lá. Nem sempre os mesmos. Mas igualmente ruidosos. O grupo agradece e retribui. Vale a pena, o espectáculo.

 

© Daylife

 

Ninguém olha a preços e sacrifícios, quando sente a onda encarnada a chegar. O Estádio da Mata Real rebentaria pelas costuras, se as tivesse. Os adeptos do Benfica estão por todo o lado. Sentados, em pé, amontoados nas escadas. Não importa. Quando a equipa está bem, meio país regozija-se. Graças a Jesus.

 

O Benfica apresentava-se na Capital do Móvel sem três artistas hispânicos. Pablo Aimar, o maestro pós-Rui Costa, parecia demasiado imponente para viajar sem deixar saudades. Di María tem Fábio Coentrão como substituto, Ruben Amorim não destoa quando falta Maxi Pereira. O problema estaria ali. Estaria, mas não esteve. Em 22 minutos, Carlos Martins fez uma assistência e um golo. Esta febre tem efeitos contagiantes.

 

A equipa de Jorge Jesus tem mais golos, mais golos de cabeça, mais cantos, mais remates, mais faltas sofridas que qualquer outra na Liga portuguesa. Sofre uma derrota europeia, regressa a Portugal e abre novamente as asas, olhando adversários de cima para baixo. Resta aguardar pela resposta deste Benfica frente a iguais, com o Sp. Braga já à espera.

 

© Daylife

 

Quatro minutos de incerteza

 

Em Paços de Ferreira, a incerteza perdurou por curtos quatro minutos. Como as coisas são. A equipa da casa conquistou um canto. Cardozo aliviou, Saviola arrancou e serviu Fábio Coentrão. Em meia dúzia de toques, a bola estava na outra baliza. Jorginho chegou para adiar o golo, cedendo canto. Esforço inglório.

 

Carlos Martins ajeitou a bola, olhou para David Luiz e cruzou, com Danielson a pensar na sua vida, certamente. O central pacense ficou parado e o compatriota encarnado agradeceu, marcando pelo terceiro jogo consecutivo. David Luiz acertou na própria baliza em Leiria, mas compensou o erro com golos frente a Leixões e P. Ferreira. Estava feito o mais difícil.

 

Leandrinho ainda fez umas traquinices, procurando chegar à baliza de Quim. Puros fogachos. Do outro lado, Cássio brilhava aos pés de Cardozo e Saviola. O guardião pacense agigantava-se na área, mas não conseguiu segurar dois petardos de meia distância, antes do intervalo. Carlos Martins deu o mote, de bola corrida, e Cardozo desenhou o arco perfeito, na conversão de um livre directo.

 

O Benfica chegava ao terceiro golo e o avançado paraguaio fugia a Falcao na lista dos melhores marcadores da Liga. 8 tentos em 7 jogos para Cardozo, num total de 24 para os encarnados! Com uma média de 3,5 golos por jornada, quem se importa com a chuva para ver um espectáculo destes? Na etapa complementar, Felipe Menezes deu uns toques, Cristiano fez mais pelo Paços e remou contra a maré, até ao golo de honra, apontado de Maykon (68m). Merecido, por sinal.

 

In: Maisfutebol

 

© Daylife

 

P. Ferreira: Cássio; Baiano, Danielson, Ozéia, Jorginho; Ricardo, Manuel José, Leonel Olímpio, Maykon; Leandrinho, Ciel.
Ainda jogaram: Cristiano (Danielson, 33min), Roncatto (Maykon, 79min), Carlitos (Roncatto, 85min).
Golos: Maykon (68min).
Cartões Amarelos: Jorginho (25min), Ozéia (40min), Cristiano (57min).
Cartões Vermelhos: -

 

Benfica: Quim; Ruben Amorim, David Luiz, Luisão, Shaffer; Javi García, Ramires, Carlos Martins, Fábio Coentrão; Saviola, Cardozo.
Ainda jogaram: Felipe Menezes (Carlos Martins, 46min), César Peixoto (Ruben Amorim, 69min), Weldon (Saviola, 78min).
Golos: David Luiz (4min), Carlos Martins (22min), Cardozo (41min).
Cartões Amarelos: Ruben Amorim (26min), Quim (70min).
Cartões Vermelhos: -

 

  • Avaliação

 

© Isabel Cutileiro

 

"Na 1.ª parte dominou o corredor direito com segurança defensiva e vocação atacante, mas depois não teve a vida tão facilitada. Cristiano deu-lhe trabalho e obrigou-o a recorrer às faltas para o travar. (3)", In: Record

 

"Voltou ao onze para a adaptação que se esperava e cumpriu sempre. Só não ficou bem na fotografia no golo pacense. (6)", In: O Jogo

 

"Não fosse a escorregadela no golo...

Alguém deu pela falta de Maxi Pereira?! Quase não se dava, não fora ter estado indirectamente envolvido no única golo dos pacenses: escorregou. De resto, foi durante mais de uma hora um dos rolos compressores de águia. Excedeu-se aqui e ali, arriscou até o segundo amarelo? É verdade. Mas em jogo estava o resultado e o lugar... que não é seu. (6)", In: A Bola

publicado por Frederica às 20:44
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